“Construir prisões pode movimentar a economia, mas diminui o progresso social”, diz Michael Green

Michael Green rodeado por membros do Global Shapers no CIVI-CO

Imagine avaliar e comparar os países pelo modo como são tratados seus cidadãos? Para o economista inglês Michael Green, o PIB mede a performance econômica de um país, mas não o bem-estar de seu povo. A população tem comida suficiente? É capaz de ler e escrever? Se sente segura? Essas perguntas o PIB (Produto Interno Bruto) não responde. “A economia de uma nação deve crescer junto com seu progresso social”. Em setembro, a equipe do Instituto Humanitas360 o recebeu para um café da manhã com membros do Global Shapers.

Michael Green é um dos criadores do Índice de Progresso Social, ferramenta usada para medir o desenvolvimento de um país respondendo a problemas atuais, como o envelhecimento da população, a obesidade, as mudanças climáticas. “O PIB foi criado nos anos 30 para mensurar a performance econômica, que conta bombas e prisões como um progresso”, disse ele antes de completar: “Para encarar os desafios do século XXI, precisamos de novas ferramentas de medição, novos caminhos para validar o sucesso dos países.”

O Índice de Progresso Social trabalha com mais de 50 indicadores, criando uma escala de zero a 100. A pesquisa inclui primeiramente questões de necessidades básicas, como o acesso à alimentação e água potável, moradia e segurança. Num segundo momento, é verificado se há política de preservação do meio ambiente; se a população tem acesso à educação, à informação, ao atendimento médico. Por fim, os índices verificam as oportunidades dos cidadãos em melhorar sua qualidade de vida, se os seus direitos estão preservados, se há liberdade de expressão, se há discriminação social, acesso à tecnologia. “O Índice de Progresso Social revisita o conceito de desenvolvimento, considerando não somente o PIB, mas incluindo também o crescimento sustentável que traz ganhos reais à vida das pessoas”, esclarece.

Antes de abocanhar seu último pão de queijo na mesa com café no rooftop do CIVI-CO, prédio que reúne empreendedores sociais e o escritório do H360, Michael comentou sobre a importância de se fazer, inclusive, índices regionais, “Como São Paulo ainda não tem um índice próprio!? Você pode criar um Índice de Progresso Social por subprefeituras, inclusive” disse ele, explicando que a partir de um relatório detalhado sobre a real qualidade de vida de seus cidadãos, diversos órgãos públicos, iniciativa privada e sociedade civil podem trabalhar juntos para desenvolver planos de ações que melhorem a vida de todos.

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