Humanitas360 e The Economist Intelligence Unit lançam primeiro Índice de Participação Cidadã nas Américas

Humanitas360 e The Economist Intelligence Unit lançam primeiro Índice de Participação Cidadã nas Américas

Qual é o nível do engajamento político e social dos cidadãos no continente americano? Como Estado e sociedade lidam com questões como liberdade de expressão, participação feminina na política, proteção aos direitos das minorias e garantia de acesso a serviços públicos? Em busca de respostas a essas e outras perguntas, uma pesquisa inédita do Instituto Humanitas360, desenvolvida pela Economist Intelligence Unit (EIU), empresa de pesquisa e análise do grupo da revista britânica The Economist, avaliou os níveis de participação cidadã em sete países do continente americano – Brasil, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Guatemala, México e Venezuela. O estudo aponta que, apesar de haver na região obstáculos para o pleno exercício da cidadania, como a baixa representatividade das mulheres na política e o número ainda reduzido de organizações da sociedade civil, em quase todos países há um crescimento do engajamento em protestos políticos e da disposição de assinar petições – em alguns deles, esses níveis estão no mais alto patamar dos últimos dez anos.

O Índice de Participação Cidadã nas Américas (America’s Civic Empowerment Index) é o primeiro estudo sobre o tema que permite um amplo e detalhado comparativo entre países. Ele usa metodologia semelhante à do Índice Global da Democracia, produzido pelo EIU desde 2006, a partir do cruzamento e análise de uma extensa base de dados de organizações públicas e privadas. “A EIU já desenvolvia o Índice Global da Democracia, mas nele são avaliadas as instituições e as pessoas diretamente ligadas a ela. É fundamental analisar o ponto de vista da população em termos práticos e de percepção e entender melhor este pilar essencial da democracia, que é a participação cidadã”, afirma Patrícia Villela Marino, presidente do Humanitas360. Para a elaboração do índice, foram avaliados três grandes grupos de questões: 1) as condições legais para a participação cidadã, 2) como cidadania é exercida na prática e 3) a percepção da população sobre o exercício da cidadania. Liberdade de expressão, voto, acesso à informação, serviços públicos, igualdade de gênero, voluntariado, engajamento dos jovens e índices de violência foram alguns dos 22 indicadores avaliados em cada um desses grupos.

O ranking geral de participação cidadã nas Américas teve a seguinte classificação: 1º Estados Unidos, 2º Chile, 3º Colômbia, 4º México, 5º Brasil, 6º Guatemala, 7º Venezuela. A posição brasileira deu-se sobretudo por suas notas baixas nos quesitos de legislação para participação cidadã e de percepção da população sobre o exercício da cidadania. Ainda assim, alguns indicadores da cidadania no país surpreenderam, como um alto nível de engajamento dos jovens e as mais elevadas taxas na região de participação em manifestações e em petições públicas. A pesquisa traz outras descobertas sobre demais países, como a posição de liderança do México em relação à participação de mulheres na legislatura, o alto patamar de liberdade de imprensa no Chile (único da região situado no mesmo nível dos Estados Unidos) e o destaque para a Colômbia pela mais forte legislação de proteção a minorias. A Venezuela ganha um capítulo à parte, mas não será avaliada da mesma maneira que os outros países, por dificuldades na disponibilidade de dados.

Seguem abaixo mais alguns dados revelados pelo Índice de Participação Cidadã nas Américas:

  • Ranking geral de participação de cidadã nas Américas: 1º Estados Unidos, 2º Chile, 3º Colômbia, 4º México, 5º Brasil, 6º Guatemala, 7º Venezuela.
  • 5º lugar na classificação, o Brasil teve bom desempenho em participação cidadã na prática, mas ficou em quinto lugar em legislação para a cidadania e em último na percepção popular sobre o exercício da cidadania.
  • Os pontos positivos do país são o alto grau de confiança no processo eleitoral e o nível relativamente alto de acesso à educação. Entre os negativos, a reduzida presença feminina em cargos eletivos, a baixa confiança da população na polícia e no judiciário e o uso excessivo da força para repressão de manifestações.
  • Direitos garantidos na legislação nem sempre são refletidos na percepção popular. No Brasil, por exemplo, o índice verificou a existência de proteções legais ao exercício da cidadania, como o direito à liberdade de expressão. No entanto, apenas 31,6% dos brasileiros consideram ter esse direito amplamente respeitado.
  • O Chile, país da América do Sul mais bem colocado no ranking, teve como destaques a liberdade de imprensa e uma ativa sociedade civil.
  • O México, quarto lugar do ranking geral, enfrenta desafios por conta da violência no país, do governo enfraquecido, o que alimenta um crescente descontentamento popular, e das intimidações e mortes de jornalistas.
  • Os Estados Unidos lideraram todas as categorias, com indicadores bem à frente dos demais países. Seu alto engajamento civil, acentuado após a eleição de Donald Trump, e uma legislação que garante proteção à liberdade de expressão e de manifestação são seus pontos fortes, além do alto índice de confiança popular no judiciário, na polícia e nas instituições públicas.
  • A pesquisa também apontou que, apesar da confiança nas instituições democráticas ser baixa na região, os níveis de participação cidadã vêm aumentando. Em quase todos os países avaliados, a participação em protestos e a disposição em assinar petições públicas estão no maior grau dos últimos 10 anos.
  • Porém, as percepções de participação cidadã continuam extremamente baixas na região, sobretudo em comparação aos Estados Unidos. A lacuna entre os EUA e os demais países da América Latina na categoria 3 (que mediu a percepção popular) é bem maior do que as das duas primeiras categorias (que avaliaram as condições legais para a participação cidadã e a aplicação dessas leis).

 

Baixe o material: 

Americas Civic Empowerment Index - relatório

Americas Civic Empowerment Index - dados
4 Comments
  1. Brasil aparece em 5ºlugar no ranking de engajamento social nas Américas
    Em entrevista ao CBN Brasil, o diretor de comunicação e parcerias do Humanitas360, Ricardo Anderáos, falou sobre o primeiro Índice de Participação Cidadã nas Américas. Ele disse que a pesquisa teve como foco o engajamento da sociedade na vida pública em todos os sentidos. O índice tem 22 indicadores.

    Não consigo baixar o material.

  2. Boa Tarde,
    Hoje, dia 15/03, por volta as 13 horas, escutei na radio CBN BH parte da entrevista a respeito desta pesquisa e do trabalho de vocês.
    Estou na fase de analise dos dados de minha pesquisa qualitativa de doutorado na área do impacto a das TIC nas pessoas e nas cidades, no eixo exercício da cidadania digital. Faço um recorte nos centros de inclusão digital da cidade de Belo Horizonte instalados em áreas de vulnerabilidade social.
    Pelo pouco que escutei da entrevista creio que os dados irão contribuir com a discussão final da tese.
    Obrigado por disponibilizar os dados.
    atenciosamente
    Samir R. Haddad

  3. Mudem a cor da letra. Dificulta a leitura 🙁

    No mais, ótima matéria. Informações como esta são importantes para se possa repensar a participação política e direcionar as ações para o aperfeiçoamento desta.

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