No dia 8 de junho, o Instituto Humanitas360 realizou a 12ª edição da série Conversas Difíceis, com o tema “Arte gospel é arte?”. Mediado pelo antropólogo Juliano Spyer, o encontro reuniu no auditório do CIVI-CO o escritor Miguel Del Castillo, o documentarista Miguel Salvador e a cantora e compositora Sarah Renata, num painel que atravessou cinema, música e literatura.
Autor do romance “Cancún”, Miguel Del Castillo recusou o rótulo de literatura gospel para sua obra e defendeu que a boa literatura opera numa zona cinzenta, sem apagar as arestas e sem tentar organizar a complexidade da vida. Para ele, a arte panfletária, a serviço da conversão, paga um preço alto em qualidade e honestidade.
Miguel Salvador, por sua vez, preferiu falar em “evangelho” em vez de gospel e propôs que uma arte cristã relevante não precisa se limitar a vocabulários ou ambientações religiosas, nem ser proselitista. Ele também apontou uma tensão estrutural: a igreja é “a grande mãe dos artistas brasileiros”, oferecendo acolhimento e ferramentas mínimas para produzir, mas muitas vezes segura esses artistas e não os deixa ir para o mundo.
Por fim, Sarah Renata trouxe o olhar de quem viveu essa transição: começou no gospel, mas sentia que sua criação estava limitada, uma vez que tinha outros temas para cantar, e sua vida não girava apenas em torno da igreja. Migrar para a MPB não foi abandonar a fé, mas encontrar espaço para toda a sua experiência e musicalidade.
O evento foi transmitido ao vivo pelo canal do H360 no YouTube, onde segue disponível. Assista:
