Ao contrário do que sugere o senso comum, o aumento do encarceramento não resulta em maior segurança pública. Segundo dados compilados no Observatório Nacional dos Direitos Humanos, o Brasil conta hoje com mais de 850 mil pessoas privadas de liberdade, constituindo a terceira maior população carcerária mundial. Desde 2000, esse contingente praticamente quadruplicou, evidenciando o fenômeno do encarceramento em massa, com déficit superior a 200 mil vagas.
O crescimento desenfreado da criminalidade organizada opera justamente a partir do interior das unidades prisionais, fortalecendo-se proporcionalmente ao aumento populacional carcerário. A situação das mulheres é particularmente alarmante: enquanto a população prisional geral cresceu drasticamente nas últimas décadas, o encarceramento feminino apresentou expansão ainda mais acentuada, com duas em cada três detentas sendo rés primárias.
