Em viagem à Indonésia realizada no mês de julho, a presidente do Instituto Humanitas360, Patrícia Villela Marino, visitou a ilha de Sumba para conhecer de perto o trabalho de Roswita Asty Kulla, uma educadora e empreendedora social que transforma sua comunidade por meio de duas iniciativas complementares. A viagem revelou frentes de atuação que dialogam profundamente com as causas defendidas pelo H360 — do empoderamento feminino ao acesso a direitos básicos como educação, renda e água potável.
A primeira dessas frentes é a English Goes to Kampung (EGK), fundada por Asty em 2015. O que começou com uma jovem professora visitando vilarejos remotos para ensinar inglês e habilidades básicas a crianças sem acesso à escola cresceu para uma iniciativa comunitária que já alcançou mais de 8.000 jovens nos quatro distritos de Sumba, apoiada por mais de 80 voluntários. Em uma ilha que figura entre as mais bonitas e, ao mesmo tempo, mais pobres da Indonésia, a EGK aposta na educação como caminho para romper ciclos persistentes de pobreza. Durante a visita, Patrícia conheceu o espaço educacional e as crianças atendidas pelo projeto.
A segunda frente é a Karaja Sumba, também fundada por Asty, que preserva a antiga arte do ikat — um tecido tradicional sumbanês que leva meses para ser produzido — enquanto gera renda e independência financeira para as “mamas”, mulheres vítimas de violência doméstica. Ao comprar as peças antecipadamente e por um preço justo, que valoriza todo o processo artesanal, a Karaja cria oportunidades reais para que essas mulheres sustentem suas famílias e escapem do ciclo da violência e da pobreza. Esse propósito ecoa diretamente a trajetória das cooperativas sociais do Humanitas360 e do negócio social Tereza, hoje independente, que gera renda para mulheres egressas do sistema prisional por meio do corte e da costura. Em ambos os contextos, o empreendedorismo se revela ferramenta de consciência, autonomia e dignidade.
A visita também lançou luz sobre o trabalho da Sumba Foundation, parceira dessas iniciativas, que desde 2002 constrói sistemas de água para as comunidades locais — protegendo poços e nascentes da contaminação e levando água limpa diretamente às vilas. O resultado é expressivo: mais de 48 mil pessoas beneficiadas com acesso à água potável e a quase erradicação da malária no oeste de Sumba, onde algumas clínicas chegam a registrar meses com zero casos. Acompanhando a comitiva, Daniel Villela Marino — cofundador do PDR Fundo Filantrópico ao lado dos pais, Patrícia e Ricardo Villela Marino — dedicou-se a trabalho voluntário junto às comunidades, reforçando o compromisso da família com causas socioambientais em diferentes territórios do mundo.
Esse compromisso encontra eco no Brasil por meio da Coalizão Água Potável para os Povos Indígenas, criada pelo Humanitas360 com seu mantenedor, o PDR Fundo Filantrópico, e a startup Água Camelo. Em setembro de 2025, a coalizão concluiu a entrega de filtros de larga escala ao povo Paiter Suruí, garantindo água tratada a todas as principais aldeias da Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia e Mato Grosso. Da ilha de Sumba às aldeias da Amazônia, o encontro entre essas iniciativas reafirma uma convicção que orienta o trabalho do H360: quando comunidades têm acesso a educação, renda e direitos básicos, transformam não apenas suas próprias vidas, mas o futuro de todos ao seu redor.
