Em visita ao Humanitas360, governador do Maranhão detalha projeto de cooperativa no Complexo Penitenciário de Pedrinhas

O Instituto Humanitas360 recebeu a visita do governador do Maranhão, Flávio Dino, para discutir detalhes do projeto de implementação de cooperativas para trabalho de pessoas presas em Pedrinhas, penitenciária próxima a São Luís. Em conversa com a equipe, o governador destacou a importância da parceria para suprir uma demanda que a administração pública, muito sobrecarregada, não consegue dar conta sozinha. “É um tema que ganhou centralidade no nosso estado por conta da grande crise penitenciária de 2013 e 2014”, afirmou.

No encontro, o vice-presidente do H360, Ricardo Anderáos, apresentou outros projetos realizados pelo instituto e anunciou uma nova parceira para o trabalho no Maranhão: a cantora Alcione, nascida lá, que será madrinha da cooperativa. “A presença dela é muito valiosa para nós. Ela é respeitadíssima e querida”, destacou Dino. Ele também frisou que o governo está aberto a novas colaborações com o H360 – entre elas, a ideia de uma sede da cooperativa para ex-detentos em São Luís, para quando tiverem saído do cárcere, além de projetos como exposições artísticas e associações com artesãos locais para o desenvolvimento de uma nova coleção de peças, ligada à cultura do estado. 

Outro tema abordado na reunião – e que será explorado no próximo ano pelo Humanitas360 – é a questão da pena-multa: segundo a legislação atual brasileira, presos condenados por crimes hediondos devem, após o cumprimento da pena, pagar uma multa que pode passar dos R$ 100 mil reais, a depender da decisão do juiz. O H360 vai elaborar um manual para explicar a importância deste tema e os procedimentos para ex-detentos: sem o pagamento, não é possível tirar o título de eleitor e, com isso, toda a regularização da vida cidadã – carteira de trabalho, por exemplo – fica suspensa. Sensibilizado, especialmente ao saber da proposta de a pena-multa poder converter-se num retorno à prisão, em projeto do Governo Federal, Dino começou até a pensar em saídas legais para a questão. Ele também manifestou sua solidariedade em relação ao fechamento das cooperativas do Humanitas360 no Presídio de Tremembé.

O governador reafirmou o interesse comum com o H360 em trabalhar pela mudança de mentalidade da sociedade brasileira em relação à questão carcerária. Para isso, nada melhor do que um trabalho que foque em resultados: a produção no Maranhão deve começar em janeiro e, como é praxe na experiência proposta pelo instituto, toda a renda será distribuída entre as detentas e detentos cooperados.